Essa é uma newsletter especial, escrita por Lala Rebelo, criadora do famoso blog que leva o seu nome, o lalarebelo.com, e do instagram @lalarebelo
Lala Rebelo é publicitária e criadora de conteúdo de viagens há mais de 10 anos. É mãe e já fez mais de 160 voos com bebês e crianças, visitando 25 países com eles (e mais de 80 no total, com e sem filhos!!!).
O ano era 2021 e meu filho Vinicius, naquela época com 3 anos, estava “encucado” com a Albânia. Não sei se era pela bandeira preta e vermelha, por começar com a letra A ou por algum motivo sentimental que jamais entenderemos. Estávamos na pandemia, muitos países fechados para brasileiros e, entre os que saíam nas notícias que ainda podíamos visitar – com desdém e ironia dos jornalistas – estava lá na lista: Afeganistão (nops!) e… ALBÂNIA.

Vinicius passava metade do dia dizendo que queria ir pra Albânia (e a outra metade? Também!!). Até mesmo para seu desfralde usou a chantagem “só vou tirar a fralda depois que eu for para a Albânia”. A insistência era tanta que resolvi de fato ir checar “o que será que tem lá?”.
Confesso que não sabia NADA. Todo o meu conhecimento era com base no filme “Busca Implacável” (que acontece em Paris, mas foram os albaneses que ficaram mal falados). E então, conversando com brasileiros que moravam na Albânia e com um albanês que morava no Brasil, descobri que se tratava, na verdade, de um país super pacífico, seguro, tranquilo, cheio de história e ESTONTEANTEMENTE BELO, cheio de praias turquesas. Uau! Então vamos!
E assim, em um mix de expectativa e receio, eu e minha família, com dois “bebês” (Vinicius 3 anos e Miguel 1 ano), embarcamos para esse pedacinho ilustre e desconhecido da Península dos Balcãs. Entramos por terra, vindo de Montenegro (país que conhecemos na mesma viagem), mas é possível voar para a capital Tirana ou entrar de balsa, chegando em Sarandë, vindo da ilha grega de Corfu.
Viajar para a Albânia divide opiniões. Há os que chegam ao país e dizem nunca mais querer voltar e os que, assim como eu, se encantam pelo destino. Porque a Albânia é um mundo à parte. Viveu por mais de 40 anos um dos regimes comunistas mais severos do planeta e estava completamente isolada (era apelidada de “Coréia do Norte da Europa”). Enver Hoxha foi um ditador com mania de perseguição, e construiu mais de 170 mil bunkers. A abertura é recente, se deu há um pouco mais de 30 anos.

Então a dica número um de uma viagem para a Albânia é: VÁ PREPARADO. Vá com as EXPECTATIVAS certas. Não é porque a Albânia está lá no continente europeu que você vai encontrar algo parecido com seus vizinhos Croácia, Grécia, Montenegro… Simplesmente esqueça as comparações! Mas as coisas estão mudando. Quem vai agora já vê o país como um canteiro de obras. E já tem muito mais infraestrutura turística em 2024 do que quando fui 3 anos atrás.

Como gosto de dizer, as praias são de “explodir o turquesômetro”!

As praias mais bonitas ficam no sul do país, em um trecho de 140 quilômetros que vai de Vlorë até quase a fronteira da Grécia.

Dhërmi: o lugar para quem busca o agito do verão, com beach clubs enfileirados em uma praia de pedrinhas e mar azul quase neon. Você pode optar por se hospedar à beira-mar ou em hotel no topo do vilarejo histórico como o Zoe Hora.

Himarë: ponto de partida de passeios de barco que visitam praias e cavernas difíceis de serem alcançadas por terra. Gjipe é a praia mais famosa e fica encaixada em um cânion. Dove’s Cove é vizinha de Gjipe e com menos “hype” (porém tão linda quanto, na minha opinião). Guarda-sol? Árvores fazendo sombra? Que nada!! Uma ENORME CAVERNA na areia!


Sarandë: é a porta de entrada e principal cidade da Riviera. Está bem em frente à ilha grega de Corfu e de seu aeroporto internacional, separado da Albânia por apenas 30 minutos de ferry. Praias urbanas, vida noturna e um calçadão com várias opções de restaurantes. Sarandë não é um must, mas é conveniente, pois tem muitos hotéis e é bem localizada para quem quer explorar o litoral mais ao sul ou mais ao norte, partindo dela.
Ksamil: é a pequena pérola turquesa, com areia branca fininha e mar “da cor das Maldivas”, com um litoral todo recortado, cheio de pequenas praias.


Blue Eye: não é praia, mas é pertinho de Ksamil e é “parada obrigatória”. O “olho azul” é a nascente do Rio Bistricë, que tem mais de 50 metros de profundidade, com água incrivelmente transparente G-E-L-A-D-A. Porém, nesse ano, o mergulho passou a ser proibido.
Tirana é a capital e a principal porta de entrada do país. Já foi chamada de “capital mais chata da Europa”, mas bares e restaurantes descolados vêm surgindo a cada dia, trazendo um clima jovial e otimista, que contrasta com a aura pesada deixada pelos anos do antigo regime comunista.
Must visit é Bunk’Art 2, um abrigo subterrâneo com mais de mil metros quadrados em plena praça principal, convertido em museu, e o Castelo de Tirana, datado de 1300 a.C., que foi completamente restaurado e hoje abriga lojas e restaurantes que atraem turistas e locais para o centro da cidade.
“Mas Lala, PRECISA ir pra Tirana?” Sinceramente, não acho que PRECISA. Mas eu acabo vivendo no modo “já que to…”, então eu fui. E não me arrependi. Mas 1 dia inteiro é o suficiente.

Berat: A cidade das mil janelas, com mais de 2,4 mil anos de história. Perder-se pelas ruelas do bairro de Mangalem, encravado nas montanhas, é uma das experiências que causam a sensação de estar em um outro tempo. O Castelo de Berat também é visita obrigatória, já que diferentemente de outros destinos, é um castelo vivo, com ares de vilarejo, onde casas são habitadas.

Gjirokastër: cidade da era otomana esculpida em pedra. Beleza arquitetônica preservada e local de nascimento do ditador Enver Hoxha e do escritor Ismail Kadaré. As lojas de artesanato e restaurantes de comida típica dessa cidade são simplesmente DEMAIS.

Aliás, a gastronomia tradicional da Albânia é fantástica. Uma mistura de culinária mediterrânea com a dos Bálcãs, com uma pitada de vários outros lugares. A gente come um pouquinho de Grécia, de Turquia e até de Itália, e come também o que só tem lá (como as linguiças que são únicas e deliciosas). Terras montanhosas, com muitos vales produtivos… Era de se esperar que os vegetais fossem fresquíssimos (muito tomate, pepino e cenoura) e as carnes (cordeiro, vaca, galinha) muito saborosas. Peixes só consumimos no litoral. As tortas (byrek) e um molhinho chamado fergesa (queijo cottage, molho de tomate, pimentão, cebola, alho e especiarias) estão sempre presentes nas entradinhas. Pão não falta nunca. Aliás, algo que sabem fazer é pão. O consumo de carne costuma ser feito numa bandeja, cheia de tipos diferentes, como uma degustação (tave mishi). Que tal cérebro de boi? Não. Obrigada! O resto: sim, por favor!!! Um de cada.

Ficou com vontade de conhecer a Albânia, né?! E eu já estou doida pra voltar. Essa foi minha primeira participação aqui na MONET e espero que tenham gostado da News!
Beijo, obrigada e até a próxima!
Lala Rebelo