BLOG 27/08/2025

Diário de bordo Japão: um mês no país dos meus sonhos

Monet® Travel Artists Fernanda Zaffari
Monet® Travel Artists Fernanda Zaffari
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Nesta edição especial, convidamos uma cliente muito querida para contar sobre os 28 dias que passou no Japão. Uma viagem que tivemos a honra de organizar em detalhes.

Sempre que alguém me pergunta sobre minha viagem ao Japão, eu começo com a mesma frase: “Foi um sonho se realizando”. E não é exagero. Desde criança, eu sonhava em conhecer esse país que me fascinou através dos animes e mangás. Conforme fui crescendo, minha paixão se expandiu para a gastronomia, o design e aquela sensibilidade estética japonesa única, ora minimalista, ora urbana e cheia de informações visuais.

Como designer, sempre admirei essa dualidade japonesa: a capacidade de criar beleza tanto no vazio quanto na abundância. Tanto que meu aniversário de 30 anos teve tema japonês. Por anos, eu queria ir na época das cerejeiras, aquele período mágico e curto que todo mundo sonha em presenciar. Mas a vida sempre colocava outros compromissos no caminho. Até que, em outubro do ano passado, eu não quis mais esperar o ‘momento perfeito’ e, finalmente, embarquei nessa aventura.

Um mês para sentir, não apenas ver

Eu não queria fazer uma viagem “pinga-pinga”, passando rapidamente por pontos turísticos apenas para tirar fotos. Queria tempo para realmente conhecer os lugares, para sentir as cidades, para me permitir viver o ritmo japonês. Por isso, planejei um mês inteiro – e posso dizer que cada dia foi necessário.

Fui com minha mãe e, depois, meu irmão e meu namorado se juntaram a nós.

Cada cidade revelou uma personalidade única, foi realmente surreal!

Tóquio: o mundo em uma cidade

Tóquio é impossível de definir em poucas palavras. É uma cidade que reúne absolutamente tudo: cultura milenar e modernidade extrema, templos serenos e arranha-céus pulsantes, tradição e inovação convivendo harmoniosamente.

O que mais me impressionou foi como Tóquio consegue ser cosmopolita sem perder sua essência japonesa. Você pode visitar um templo centenário pela manhã, almoçar em um restaurante estrelado, passar a tarde em uma papelaria de cinco andares (a Itoya, em Ginza, é um sonho para qualquer pessoa que ama papelaria!) e terminar o dia em um karaokê.

Falando em papelaria, preciso contar sobre minha obsessão: no Japão, eles levam papelaria a sério. É um paraíso para quem, como eu, acredita que papelaria bonita inspira criatividade.
Uma coisa que me chamou muito a atenção foi ver japoneses de todas as idades lendo livros físicos, no metrô, em cafés, nos parques. Crianças pequenas com livrinhos, adultos imersos em leituras. Em um mundo cada vez mais digital, o Japão mantém viva a cultura do papel, do toque, da experiência física.

Em Tóquio explorei diversos bairros, mas alguns se destacam como essenciais para quem tem pouco tempo na cidade. Ginza é um dos mais sofisticados, muitas vezes comparado à 5ª Avenida de Nova York, com suas lojas de luxo, restaurantes renomados e cafés históricos. Já Akihabara é o paraíso da tecnologia e da cultura pop japonesa, onde prédios inteiros são dedicados a eletrônicos, mangás e animes.

Para mergulhar no lado mais tradicional da capital, Asakusa é a melhor escolha: ali está o famoso Templo Sensō-ji, rodeado pela rua Nakamise, repleta de lojinhas típicas e comidas de rua. Shinjuku revela a face mais vibrante e contemporânea da cidade, com arranha-céus iluminados, os bares minúsculos de Golden Gai e até a icônica cabeça gigante de Godzilla, que solta fumaça e luzes de hora em hora a partir do meio-dia, especialmente impressionante quando vista à noite. Harajuku adiciona um contraste único, reunindo desde a moda extravagante da Takeshita Street até o charme elegante da Omotesando. Já Shibuya é um dos cartões-postais mais famosos de Tóquio, com seu movimentado cruzamento e a estátua do cão Hachiko.

Osaka: a alma urbana e gastronômica

Se Tóquio é cosmopolita, Osaka é pura energia urbana. Conhecida como a cozinha do Japão. É vibrante, uma cidade mais descontraída que Tokyo. A região de Dotonbori é um espetáculo visual que parece saído de um filme: fachadas 3D com polvos gigantes, bonecos segurando espetinhos, néons que transformam a noite em dia. É uma explosão de cores e movimento que hipnotiza. Já a região de Shinsekai também merece destaque. Shinsekai significa Novo Mundo, tem um estilo único que parece um futuro retrô, sendo a Torre Tsutenkaku o coração da região.

Mas Osaka não é apenas visual, é gastronômica. Foi lá que provei o melhor takoyaki da minha vida (bolinhos fritos de polvo que são a alma da cidade). A proximidade com a Universal Studios foi um bônus.

Outra dica boa: Namba Parks Shopping é um centro comercial com arquitetura bem diferente! Um lugar relativamente menos óbvio de Osaka.

Quioto: onde o tempo desacelera

Antiga capital imperial do Japão por mais de mil anos. Tem mais de 1.600 templos! Essa cidade é um museu vivo da cultura japonesa, onde cada templo conta uma história, cada jardim é uma obra de arte, cada rua preserva tradições milenares.

Sannenzaka e Ninenzaka são ruas super movimentadas, mas que merecem ser visitadas, arquitetura tradicional e inúmeras lojinhas e cafés irresistíveis, impossível não querer entrar em todos!

Dicas:

  • Hashi Gallery Mon (minha loja preferida de hashis na viagem!)
  • Para cerâmicas, tem incontáveis lojas incríveis, eu amei a 松韻堂 na Sannenzaka, fica pertinho da Sannenzaka Slope se colocar o nome no Google maps!
  • Bread, Espresso and Arashiyama Garden: o café fica na região de Arashiyama, um pouco afastado da rua principal e cercado por um jardim japonês. Instalado em uma casa tradicional japonesa de mais de 200 anos. Combina tradição e modernidade, casa histórica com pratos contemporâneos, como a french toast de matcha.

Hiroshima: história que toca a alma

Hiroshima carrega uma história densa, mas a cidade de hoje é um exemplo de renascimento e esperança. Algo que vou lembrar pra sempre foi ir até o apartamento da nossa guia, uma senhora de cerca de 79 anos que tinha uma energia impressionante.

Fomos convidadas para uma cerimônia do chá em sua casa, um autêntico apartamento japonês com sala de tatame. Ela nos presenteou com caixinhas cheias de origamis feitos por ela mesma, inclusive nas cores da bandeira brasileira.

Foi uma lição de gentileza e hospitalidade. Algo que nunca vou esquecer são as conversas que tivemos. Nossa guia nasceu no caos de Hiroshima (na época da bomba atômica), e nos contou histórias do que os seus familiares passaram. Algo que nenhum livro conta.

Kanazawa: a cidade dos samurais

Kanazawa me transportou para a cidade dos samurais. Ela preserva casas tradicionais que você pode visitar por dentro, jardins que são verdadeiras obras de arte paisagísticas, e uma atmosfera que parece ter parado no tempo.

É menor que Quioto, mais íntima, mais silenciosa. Caminhar por suas ruas é como folhear um livro de história vivo.

Dicas:

  • Distrito Nagamachi: antigo bairro de samurais.
  • 99% da folha de ouro de todo o Japão é produzida em Kanazawa. É possível comprar doces, sorvetes e cosméticos com folha de ouro!
  • Pra quem gosta de arte, o Museu de Arte Contemporânea do Século 21 contrasta com o lado histórico da cidade.

Kawaguchiko: quando a natureza não colabora

Nossa última parada foi Kawaguchiko, onde esperávamos ver o majestoso Monte Fuji. Ao contrário do que muitos pensam, ver o topo do Monte Fuji é mais raro do que parece e ele fica visível por apenas cerca de 80 dias por ano.

O tempo nublado e chuvoso não permitiu, mas aprendi que, às vezes, as viagens nos ensinam sobre aceitar o inesperado. O hotel em que estávamos era muito aconchegante, a região tinha um charme próprio, e o simples fato de estar ali, mesmo sem a vista do Fuji, já fazia valer cada momento. Às vezes, a jornada é mais importante que o destino.

A magia do japão está nos detalhes

O sistema de transporte japonês é uma obra de arte em funcionamento. Trens que saem às 11h57 partem literalmente às 11h57. Não 11h56, não 11h58. O silêncio e o respeito mútuo nos transportes públicos me impressionaram. Lembro de ter esperado uma estação inteira para abrir minha mala, apenas para não incomodar os outros passageiros. Esse nível de consideração pelo próximo cria uma atmosfera de paz.

Uma dica prática que salvou nossa viagem: o serviço de despacho de malas entre hotéis. Você pode enviar suas bagagens de um hotel para outro e elas chegam no dia seguinte. Isso nos permitiu explorar as cidades sem carregar peso, especialmente considerando que levei duas malas prevendo as compras (e precisei de cada centímetro, rs).

Gastronomia: além do sushi

Minha mãe não come frutos do mar, mas o Japão oferece uma diversidade culinária incrível para todos os paladares.

Os croissants e pães japoneses são, segundo minhas amigas, os melhores que já comeram. Eu também confesso que amei. A carne wagyu literalmente derrete na boca. Os noodles têm texturas e sabores surreais.

Os doces japoneses são uma revelação para quem está acostumado com a doçura brasileira. Eles são mais suaves e delicados. Quem tem “paladar mais formiga” pode estranhar inicialmente, mas é uma oportunidade de educar o paladar para sabores mais sutis e complexos.

Hospitalidade: gentileza como filosofia de vida

A gentileza japonesa não é um estereótipo, é uma realidade que você sente na pele. Mesmo com barreiras linguísticas, as pessoas demonstram uma disposição genuína em ajudar. Eles sorriem quando você tenta algumas palavras em japonês.

Em locais turísticos, a comunicação em inglês flui naturalmente. Em lugares mais locais, a comunicação acontece por meio de gestos, apontamentos e muita boa vontade de ambos os lados.

Compras: um universo de possibilidades

Além da papelaria (minha paixão), me encantei com a cerâmica japonesa. Cada peça conta uma história, cada imperfeição é proposital, cada objeto carrega a filosofia wabi-sabi da beleza na imperfeição.

Os hashis se tornaram lembranças especiais, cada par tem um design único, uma madeira diferente, uma história própria.

SEGURANÇA QUE LIBERTA
A sensação de segurança no Japão é libertadora. Você pode andar com câmera e celular, caminhar sozinha à noite sem preocupação.

LIMPEZA QUE IMPRESSIONA
Quase não se vê lixo nas ruas, apesar de haver pouquíssimas lixeiras públicas. As pessoas carregam seu lixo até encontrar um local apropriado para descarte. É um exemplo de como a educação ambiental pode ser internalizada culturalmente.

ORGANIZAÇÃO QUE INSPIRA
Tudo funciona. Tudo tem seu lugar. Tudo acontece no tempo certo. Não é rigidez, é harmonia. É a sensação de que a sociedade encontrou um ritmo que funciona para todos.

Dicas práticas para quem sonha em ir

Duração ideal
Não compensa ir ao Japão por menos de duas semanas. São pelo menos dois dias inteiros de viagem para ir e dois para voltar, quatro dias só de logística. Você merece mais tempo no destino do que no avião.

Clima em outubro
Eu esperava temperaturas mais frias, mais próximas do outono europeu, mas peguei dias bem quentes. Leve roupas para diferentes temperaturas, o clima pode surpreender.

Fuso
Na ida, a empolgação ajuda a superar o cansaço. Na volta, prepare-se: o voo parece eterno.

Comunicação
Baixe um tradutor off-line, aprenda algumas palavras básicas em japonês (eles ficam felizes quando você tenta).

Lugares que merecem destaque especial

AZABUDAI HILLS
Essa área nova de Tóquio, finalizada no final de 2023, é um complexo arquitetônico impressionante. Abriga o hotel Janu (do mesmo grupo do Aman), que é simplesmente deslumbrante, com uma academia que tem até ringue de boxe.

O complexo também inclui o Team Lab Borderless (museu famoso pelas instalações de luzes interativas) e um supermercado que é mais bonito que muitas lojas de departamento. É o Japão olhando para o futuro sem esquecer sua essência.

MIYAJIMA: ONDE PRESENCIEI MAGIA
Na ilha de Miyajima, tive o privilégio de presenciar um casamento tradicional japonês no santuário Itsukushima. Os noivos em trajes típicos, a cerimônia milenar, o cenário do torii flutuante parecia uma cena de filme que aconteceu na vida real.

Importante: a ilha fica a apenas uma curta travessia de ferry a partir de Hiroshima.

NATIONAL ART CENTER: ARQUITETURA QUE EMOCIONA
Em Tóquio, visitei esse museu cuja arquitetura me impressionou tanto quanto as próprias exposições. O prédio foi projetado pelo arquiteto Kisho Kurokawa, um dos arquitetos japoneses mais influentes do século XX.

É um exemplo de como os japoneses transformam espaços funcionais em experiências estéticas.

Vou voltar

Antes mesmo de embarcar de volta ao Brasil, eu já queria retornar. O Japão é um país que sempre oferece algo novo, mesmo nas cidades que você já visitou. Há camadas de cultura, história e experiências que uma única viagem não consegue abraçar.

Uma coisa bacana de saber é que há carimbos disponíveis em cada ponto que você visita. É uma prática divertida de ir colecionando os carimbos e, no fim, ter um registro único e cheio de memórias da viagem pelo Japão. E ah, vale contar que até os bueiros no Japão são verdadeiras pequenas obras de arte. Diferentes e temáticos conforme a região, merecem um olhar atento ao passar por eles.

Para quem gosta de Pokémon

Nos aeroportos do Japão, é possível encontrar versões exclusivas do Pikachu vestido de piloto e comissária de bordo, vendidas apenas nas lojas oficiais localizadas dentro dos terminais.

E em termos de Pokémon Centers eu achei o Pokémon Center Mega Tokyo & Pikachu Sweets que fica dentro do shopping Sunshine City no bairro Ikebukuro, o melhor e mais completo de todos que passei!

Por fim…

Voltar do Japão não é apenas voltar de uma viagem, é voltar transformada. Você carrega na bagagem não apenas souvenires, mas uma nova perspectiva sobre organização, respeito, gentileza e harmonia social.

Aprendi que luxo pode ser o silêncio respeitoso em um trem lotado. Que beleza pode estar na simplicidade de um jardim zen. Que hospitalidade não precisa de palavras quando vem do coração. O Japão me ensinou que viajar não é apenas conhecer lugares, é sobre se permitir ser transformada por eles.

Se você sonha em conhecer o Japão, não deixe para depois. Alguns sonhos merecem ser vividos enquanto ainda pulsam forte no coração. E quando você for, permita-se tempo. Permita-se sentir. Permita-se ser transformado por um país que faz da gentileza uma arte e da organização uma poesia.

Fernanda Zaffari é cliente da Monet, designer e apaixonada por cultura japonesa desde a infância. Realizou seu sonho de conhecer o Japão em outubro de 2024, em uma viagem de um mês que superou todas as expectativas.
Ela compartilha suas experiências no Instagram @mykindofvibe_

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