Sempre contamos nossas viagens por aqui e, desta vez, o país é bem diferente. Fomos até o outro lado do mundo para conhecer de perto o Butão, uma monarquia budista de 700 mil habitantes que só ganhou transmissões televisivas a partir de 1999 (sim!).
Um destino raro no mundo que não está cheio de influências internacionais, o primeiro que visito e não tem nenhum semáforo para controlar o trânsito (acredite!) e onde o turismo independente não é permitido (você só entra por intermédio de agências).
Mas, antes, este é o primeiro texto que assino para a Monet e, muito prazer, me chamo Guilherme Valente e sou o Coordenador das Viagens Corporativas por aqui.
Agora vamos ao que interessa: o que fazer no Butão?
A primeira coisa que você precisa saber é que não é fácil chegar lá. Encravado na Cordilheira dos Himalaias, o Butão faz fronteira com dois gigantes: ao Norte, a China, e ao Sul, a Índia. Como parte da preservação da cultura e identidade, o acesso ao país é bastante restrito. As duas únicas companhias que operam são a Bhutan Airlines e a Druk Air, ambas butanesas. Além disso, para chegar em Paro, único aeroporto internacional do país, você precisa partir de Bangkok, na Tailândia; Kathmandu, no Nepal; Singapura; Delhi e Mumbai, na Índia; Dhaka, em Bangladesh; ou Dubai, nos Emirados Árabes, que foi o meu caso.
Preciso reforçar que o avião passa bem, bem perto de várias montanhas. Para quem gosta, o visual é um presente. Para quem tem medo, pode ser um pouco assustador. O avião só realiza o voo se o tempo estiver bom, uma vez que é impossível voar por lá se tiver neblina.

Existe apenas um aeroporto internacional, o de Paro (que, aliás, não é a capital do país), considerado um dos pousos mais desafiadores do mundo tecnicamente.
Os voos são quase sempre vazios, o meu tinha 16 passageiros (e olha que eu estava em um grupo com 11 pessoas). Um dos motivos do difícil acesso se justifica pelo que a monarquia do país acredita: “baixo volume e alta qualidade”. Além disso, cada turista paga uma taxa oficial de US$ 200 por dia e por pessoa para conhecer os encantos desse reino isolado do Himalaia. Essa regra é a maneira que o governo encontrou para evitar que o país seja invadido pelo turismo de massa, ao mesmo tempo em que garante que seus visitantes obtenham o máximo valor de suas viagens. Além disso, esse valor é redirecionado para a saúde e educação do país.
Isso significa que a herança cultural rica e única do Butão permanece praticamente intacta, seja na língua natal (embora todos falem inglês fluentemente), nas danças, na música, na gastronomia, nos esportes e até mesmo na forma de se vestir – as mulheres são sempre vistas trajando a Kira, cujo tecido é produzido manualmente. Já os homens usam o Gho, uma espécie de quimono. O modo como eles vivem é realmente muito diferente do que aprendemos no ocidente, tanto que o Butão é um país considerado feliz e com um índice de Felicidade Interna Bruta (chamado FIB). Os butaneses valorizam mais o ser do que o ter. Eles não se importam em ter o smartphone da moda, o carro do ano ou ostentar marcas de luxo, mas sim em encontrar um equilíbrio entre os bens materiais e a espiritualidade.

Já começo dizendo que esse destino é para quem já viajou muito e quer mesmo uma experiência diferente. Seja porque almeja se conectar com a cultura budista, seus templos e monastérios. Ou para aqueles que querem se isolar e relaxar. Minha percepção também me fez compreender que três ou quatro dias são suficientes e que o Butão é um bom destino para combinar com China, Tailândia e Índia. Meu objetivo por lá foi conhecer os templos históricos, as trilhas de caminhada e trekking, as paisagens deslumbrantes dos Himalaias e, claro, as melhores opções de hospedagem para que os clientes Monet possam desfrutar. Foram sete dias pelo país e vou começar te falando de hotéis que possuem o padrão Monet.
Six Senses Butão
O Six Senses, em qualquer lugar do mundo, nunca vai decepcionar e isso é um fato. Com uma paisagem deslumbrante, a hospedagem oferece experiências únicas, como praticar o esporte nacional de arco e flecha, caminhar por florestas intocadas, acender lamparinas de manteiga com monges em um templo no topo de uma montanha ou coletar cogumelos com um chef local.

Pemako
Pemako é uma rede de hotéis que fica em várias regiões. O que me hospedei foi em Punakha. O que gostei nesse hotel é o quanto ele representa a arquitetura e cultura butanesa. Esse é um diferencial em relação ao Six Senses (que, por ser uma grande rede, tem uma arquitetura padrão). Esse hotel fica próximo a um famoso templo, que é o da Fertilidade, onde muitas pessoas vão para ter uma benção especial.

Gangtey Lodge
Este hotel fica em Phobjikha e é uma ótima opção para se hospedar no padrão Monet. Todo construído com a arquitetura do país, é um hotel boutique com apenas doze quartos. Aconchegante e muito disputado (justamente por ter poucos quartos). O staff é realmente nota dez e o chefe senta com você para entender suas preferências alimentares. Foi o local em que eu mais amei a comida.
Eu poderia resumir dizendo que a comida é picante e sempre feita com alimentos frescos, com destaque para pratos como Ema Datshi (pimenta com queijo) e arroz butanês. Mas vale dizer também que o arroz vermelho é um alimento comum no país, servido com batata acompanhada de carne de boi, frango ou porco.
Ah, os butaneses não estão brincando quando dizem que pimentas são seus vegetais favoritos.
Uma observação importante: não acho que o Butão seja um destino para ir com crianças. O país é pequeno, mas tudo acaba ficando um pouco longe por conta dos vales. O ideal é se deslocar com uma SUV. O roteiro mais indicado começa pelo interior e segue até Paro (onde você pegará o voo de volta).
Comecei explorando Punakha Dzong (fortaleza que aparece na moeda deles) e o Khamsum Yulley Namgyal Chorten uma estupa, esses dois passeios fiz no mesmo dia.

Outro destaque fica em Bumthang, onde se abre o leque de atividades. São templos (Kurjey Lhakhang e Jambay Lhakhang), mosteiros (Zangdopelri, Tamshing, Kunzangdra e Rimochen), castelos (Jakar Dzong), museus (Ogyen Choling), escolas (no vale Tang), lagos (Mebartsho, que significa “lago em chamas”) e aldeias (no vale Ura).

Uma atração fundamental é o templo Taktshang Goemba (ou Ninho do Tigre) que fica na cidade de Paro. Os butaneses afirmam que uma hora de meditação por lá equivale a três meses de meditação nos demais templos. Vale dizer que a ida ao local requer bastante fôlego: a trilha de 800 metros de ladeiras íngremes e escadarias dura cerca de 2h30min – tudo isso numa altitude de 2400 metros.

Ao completar o percurso e chegar ao templo, os celulares e máquinas fotográficas são trancados num armário junto com os sapatos. Não se pode registrar nada na parte de dentro dos templos.

Thimphu é a capital do país e lá a gente vê uma cena mais urbana, mas nada comparado ao Ocidente. Ver a cidade funcionar em paz, sem nenhum semáforo, é algo realmente diferente. Em Thimphu, é interessante visitar a Escola de Artes e Artesanato, em que os estudantes de todo o reino aprendem artes como tecelagem, bordado, desenho, pintura, escultura, entre outras.

Como a maior parte da Ásia, é preciso se atentar ao regime de monções. Entre os meses de junho e setembro, que inclui o verão, as chuvas são mais intensas. Já de outubro a maio, que inclui o inverno, é a época ideal para viajar ao Butão.
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