Acabei de voltar de uma viagem que me ensinou algo fundamental sobre a França: ela não se revela nas grandes avenidas, mas nos detalhes, na arte de receber e na profundidade de sua história. De Paris a Saint-Émilion, o roteiro foi um mergulho em experiências que celebram o luxo discreto, a hospitalidade genuína e a paixão pelo que é autêntico. Nesta news, eu te conto por que a França é um destino que exige mais do que um olhar, exige uma entrega total aos seus segredos.
Já fui muitas vezes para a França, sempre em busca do melhor para os clientes da Monet. Desta vez, minha jornada começou em Paris, no Hotel Lancaster, um ícone que celebra cem anos e que me lembrou que a arte de receber vai muito além de uma hospedagem. É sobre criar memórias.

O Lancaster, a poucos passos da Champs-Élysées, preserva seu charme histórico com um design contemporâneo. Fiquei em uma suíte ampla e acolhedora, onde o silêncio absoluto era um luxo, mesmo na agitação de Paris. Detalhes como o piso de madeira original, a cama dos sonhos e o secador Dyson mostram o cuidado em cada canto.

O Segredo do Spa no Rooftop: Um capítulo à parte é o spa. Diferente da maioria em Paris, que fica em subsolos, o do Lancaster fica no topo, com vista para a Torre Eiffel. Pode ser reservado para uso privativo, garantindo exclusividade. A escolha das marcas de tratamento é estratégica: apenas francesas (KOS e Thalma), reforçando o autêntico “toque francês”.

O hotel respira a história de Marlene Dietrich, que viveu lá por três anos. Sua vida e seus múltiplos romances inspiraram o conceito do restaurante, o “Monsieur Lancaster”, onde o chef recria especialidades regionais que seus “amantes” teriam trazido. Tivemos um jantar harmonizado de cinco tempos com a presença de uma atriz burlesca vestida como Marlene, traduzindo a alma parisiense.

O verdadeiro diferencial, porém, foi a hospitalidade. O time de concierges organizou uma visita a um ateliê de escultura a uma hora de Paris, um mergulho no universo de um artista local. Foi ali que compreendi que luxo é, acima de tudo, cuidado nos detalhes e verdade na entrega.

De Paris, segui para Bordeaux, mais especificamente para Saint-Émilion, uma das regiões vinícolas mais emblemáticas da França. O Hotel Grand Barrail, emoldurado por parreiras, une história e modernidade em um cenário digno de cinema.
Em Saint-Émilion, o ritmo é outro. O jantar harmonizado de três tempos no Grand Barrail foi, sem dúvida, um dos destaques da viagem. Mas o ponto alto foi a imersão nas vinícolas, como o Château Fonroque, onde aprendi sobre a viticultura biodinâmica.

A biodinâmica é um compromisso total com a natureza. Não se trata apenas de proibir insumos químicos, mas de usar infusões de plantas (urtiga, dente-de-leão…) para nutrir as vinhas e seguir o calendário lunar de Maria Thun para otimizar os tratamentos. É um trabalho intensivo, mas que resulta em vinhos que são a mais pura expressão do terroir.

Já Saint-Émilion guarda um segredo sob seus pés: uma cidade subterrânea esculpida na rocha. Um tour guiado é essencial para descobrir a Igreja Monolítica, uma das maiores igrejas subterrâneas da Europa, e o Ermitério de Émilion, o monge que deu origem à cidade. É um templo esculpido na pedra que guarda a história, a fé e o mistério que fazem deste lugar Patrimônio Mundial da UNESCO.

O retorno a Paris foi no elegante Hotel Le Burgundy, no coração do 1º arrondissement. Um hotel boutique conhecido por seus quartos confortáveis e únicos, próximo à Ópera de Paris.
O chef pâtissier do Le Burgundy é um espetáculo. No café da manhã, o brioche, croissant, pain au chocolat e madeleine mais perfeitos da vida, sempre feitos na hora. Impossível ficar de dieta neste hotel (já fica o recado, rs).
Na primeira noite, fomos jantar em uma brasserie local, frequentada por parisienses. A gerente do hotel brincou que nossos clientes brasileiros sempre buscam os mesmos lugares (como LouLou ou Girafe), mas que a gastronomia autêntica está nos bistrôs frequentados pelos próprios franceses. É uma dica de ouro: para viver a França de verdade, coma onde os franceses comem.

O time de concierges organizou uma visita guiada à Notre-Dame. Foi minha primeira vez lá após o incêndio, e achei a catedral mais clara, iluminada e imponente. O guia compartilhou curiosidades sobre a restauração e a história do bairro, reforçando o sentimento de que a França é uma nação que honra seu passado.

Essa viagem me ensinou que a França é uma experiência sensorial. É o silêncio absoluto no Lancaster, o cheiro de terra e vinho em Saint-Émilion, o sabor do brioche perfeito no Le Burgundy e a emoção de ver Notre-Dame se reerguer.
Aprendi que o luxo está no cuidado e na autenticidade. E que, para realmente viver a França, é preciso sair do circuito óbvio e se permitir ser guiado por quem conhece seus segredos. Voltei mais inspirada, com o olhar mais renovado e ansiosa para preparar os próximos roteiros dos nossos clientes que sabem que a França é absurdamente inspiradora.
Com carinho e a certeza de que a França sempre nos reserva mais,
Nathiele
