Na última newsletter, eu trouxe a minha opinião sobre 4 hotéis de Paris. Mas é impossível ir para lá e não validar também os restaurantes. O que está em alta? O que ainda vale a pena? É o que vou te contar agora. Um detalhe importante: nosso anfitrião nessa viagem era francês e me levou para restaurantes muito locais. Por isso, as dicas são imperdíveis.
Sabe aquele restaurante que você passa na frente e não dá nada, mas quando entra, sente que descobriu um tesouro? Esse é o Chez Fernand Christine.
Localizado em uma ruela discreta de Saint-Germain-des-Prés, ele é o oposto da ostentação. O salão é pequeno, as mesas são próximas e o clima é de uma Paris de verdade e não aquela feita para turista ver.
O que mais me encantou foi olhar para os lados e só ver parisienses. Quase não se ouvia inglês. É um restaurante onde os garçons conhecem os clientes pelo nome.

Aqui não tem “releitura contemporânea”. É o clássico executado com perfeição. O foie gras é impecável e os pratos típicos são reconfortantes. É comida de verdade, feita como manda o manual, sem atalhos.

Ideal para quem já conhece Paris ou quer fugir do óbvio. É para quem valoriza a autenticidade acima do cenário.
Pouca gente atravessa o Sena para jantar no 16º arrondissement, e é exatamente por isso que o Le Petit Rétro continua sendo um dos segredos mais bem guardados da cidade. Fundado em 1904, ele preserva o espírito das grandes casas parisienses do início do século passado. Fica perto do Hotel Saint James (aquele castelo urbano que contei na news passada), o que reforça seu perfil residencial e discreto.

O ambiente é clássico, mas sem aquela formalidade rígida que intimida. As mesas são bem espaçadas e o ritmo do jantar respeita o seu tempo. É uma Paris mais silenciosa e refinada. A cozinha tem uma base sólida. Pratos tradicionais, ingredientes de altíssima qualidade e uma constância que dá segurança. É o lugar perfeito para um jantar a dois que pede calma e boa conversa.

Excelente para casais e viajantes maduros que buscam um ambiente local, serviço correto e uma experiência profundamente refinada.
Se os dois primeiros eram intimistas, o Bofinger é monumental. Fundado em 1864, perto da Bastille, ele é uma verdadeira instituição parisiense. Ao entrar, você é recebido por uma cúpula Art Nouveau deslumbrante que, por si só, já vale a visita. É uma brasserie clássica em grande escala, vibrante e cheia de vida.
Diferente dos bistrôs silenciosos, o Bofinger é movimentado e barulhento na medida certa. É o lugar para sentir a energia pulsante de Paris. Apesar do tamanho, a cozinha mantém um padrão altíssimo, o que é raro em casas tão grandes.


A especialidade é a gastronomia da Alsácia. Os choucroutes são famosos, assim como os frutos do mar e as salsichas artesanais. É uma comida robusta e cheia de história. Perfeito para grupos de amigos ou para quem quer viver a Paris histórica e vibrante. É uma experiência menos intimista, mas absolutamente autêntica e imperdível.
Viajar bem é, acima de tudo, saber escolher onde sentar à mesa. Em Paris, isso significa entender que o melhor jantar pode estar em uma ruela escondida ou sob uma cúpula de 1864, desde que a alma do lugar seja verdadeira. Na Monet, nossa curadoria gastronômica segue o mesmo rigor da hoteleira: nós testamos, sentimos o clima e só indicamos o que realmente nos arrebatou. Seja qual for a sua escolha, nós sabemos exatamente qual mesa reservar para você.
Espero, de verdade, que vocês tenham gostado, e já aviso que, na próxima news, teremos mais da França, mas dessa vez, estaremos nos Alpes…
Um abraço e bon appétit,
Nathiele Morales Netto